Não sei se é a falta de perspectiva de fim do lockdown,
não sei se foram os dois dias sem medicação (não recomendo).

Mas eu hoje chorei no meio da rua
ao ouvir o Dave Grohl falando sobre o que é estar na plateia de um show.

Aquele sentimento de comunhão com ilustres desconhecidos.
A paixão compartilhada com uma multidão – grande ou pequena.

A catarse.

O relembrar uma música que marcou aquele ano tão difícil.
O encontrar entre a multidão os olhos de alguém que,
por alguma coincidência inexplicável,
também compartilha da mesma emoção.

Nessa foto aí em cima, eu estava me preparando pra ver o Dave Grohl subir no palco e fazer um dos shows mais incríveis que eu vi na minha vida.

O show do Foo Fighters no Pinkpop de 2018 foi uma apoteose sem precedentes.

Foi meu primeiro festival fora do Brasil.
Eu fui sozinha,
levando uma barraca nas costas,
acampando por três noites e caminhando 10km entre o camping e o evento.

Eu ainda estava bastante doente em função do burnout,
sem psiquiatra na Holanda,
e desempregada há quatro meses.

Quando essas coisas acontecem com a gente,
nos sentimos impotentes, incapazes, inúteis.

E aí veio esse festival, cujos ingressos eu havia comprado meses antes.

Quando o Foo Fighters subiu no palco e começou a tocar,
eu esqueci de tudo.

Esqueci as dores,
as ansiedades,
os medos do futuro,
as narrativas de impotência.

Eu só estava ali, enlouquecida, pulando, gritando,
sentindo uma energia que eu nem sabia que ainda tinha em mim,
e rodeada de milhares de outros que talvez, nas suas proporções e dos seus jeitos,
também estivessem se superando para estar ali.

Eu não vou ser simplista e dizer que isso tudo vai passar logo,
porque eu não sei – ninguém sabe de verdade.

E eu não sei de onde exatamente veio essa emoção toda que tomou conta de mim,
assim, no meio da rua.

Mas sei que hoje eu me senti um pouco mais viva.

Eu não gostaria de ter passado pelos perrengues que passei
– mas são eles que me dão perspectiva.
É por ter sentido o gosto dos dias difíceis
que eu me delicio tanto com os dias ensolarados.

Não sei por que eu chorei na rua hoje.
Mas quer saber?
Foi bom.

. . .

Assinatura Escura CarolMilters.com Website Imagens 26 Burnout Neurodivergência e Criatividade no Trabalho (1)

Escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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Carol Milters é escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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