A vida não muda num estalar de dedos

Eu já achei houvesse uma linha de chegada pras coisas.

Que amanhã talvez tudo fosse ser diferente.
Que depois daquele curso,
daquele encontro,
daquela viagem,
daquela conquista,
os dias seriam equilibrados.

Eu fantasiei muito com uma rotina impecável,
acordando 5 da manhã &
escrevendo &
meditando &
me exercitando &
me alimentando de forma saudável &
sendo impecavelmente produtiva &
socializando &
mantendo a louça em dia &
contribuindo pra um mundo melhor.

Já achei que um dia eu acordaria sem ansiedade.

Já desejei ter o controle supremo das minhas emoções e viver numa paz de espírito inabalável.

Mas aí eu uso o telefone até mais tarde numa noite,
não me mexo na manhã seguinte,
não medito por duas semanas,
fico com angústia das mensagens não lidas,
não escrevo por dias e dias,
deixo a louça por fazer.

Antes, eu me massacraria.

Me julgaria uma preguiçosa,
uma irresponsável.

Hoje, eu me entendo como humana.

Eu sei que derrubo muitos pratos.
Falho todos os dias.

Mas eu continuo tentando.
Entendo que, de todos os pratos que tento equilibrar, só uns poucos realmente importam.

E tudo bem.

Hoje deu pra lavar a louça &
deu pra trabalhar um pouco &
veja só,
deu até pra escrever.

Comemora as pequenas vitórias.
Não te pune com o que não deu pra fazer.

Entende que a vida não muda num estalar de dedos.

Ela muda com um passo,
um tropeço,
outro passo,
e outro passo,
até o último.

Com amor,
Carol Milters

. . .

Assinatura Escura CarolMilters.com Website Imagens 26 Burnout Neurodivergência e Criatividade no Trabalho (1)

Escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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Carol Milters é escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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