“O que precisa ser dito hoje?
Preciso dizer o quanto necessito lembrar da minha infância feliz
neste momento de muito frio holandês.
Lembrar das ondas do mar do Leme,
das pedaladas em minha antiga bicicleta que voava ao vento da orla de Copacabana.
Lembro de meu pai me ensinando a pedalar, seu olhar carinhoso, afetuoso,
de acolhimento sempre.
Mal sabíamos que aquele simples ensinamento me serviria de grande utilidade 40 anos depois para morar no país das bicicletas.
Toda simplicidade e prazer em aprender nos leva muito longe.
Minha âncora, minha infância, cheia de natureza, frutas,
pés descalços, irmãos sorrindo, correndo e muitas ondas no mar.
Na minha infância, as ondas do mar pareciam enormes.
Eu mergulhava em cada uma delas
e tinha a certeza que ia sair do outro lado sem me afogar.
Tinha certeza que não me afogaria nos mares da vida,
das ilusões e nas paixões efêmeras que a vida me apresentava.
Porque eu recebia Amor e meu valor era o amor.
Assim, hoje tenho minha âncora dentro de meu coração aonde eu for no mundo.
Meus pais, meu mar, meu pé no chão.
E onde fui parar de tanto mergulhar nas ondas da vida?
E onde fui parar de tanto confiar que jamais me afogaria?
E onde ainda vou parar?”
Ana Cristina Tavares, escritora e aluna da Oficina Encontrando as Palavras.
Texto escrito durante a Sessão de Janeiro de 2021
@ana.saude.mental
Com amor,
Carol Miltersteiner

