Bom dia.
Como vai você hoje?
Pega uma bebidinha e vem comigo.
Esta é a primeiríssima edição de um experimento meu de escrita. A cada terça-feira (possivelmente), mais ou menos neste horário, eu devo enviar um e-mail com algo que esteja chamando minha atenção, algo que talvez precise estar sendo dito por alguém além de mim, e algo que talvez você esteja precisando lembrar.
Gosto do nome Ponte.
Já quis usá-lo pra mentorias e atendimentos individuais, mas acabou não acontecendo (pelo menos por enquanto). Gosto de imaginar o que eu faço como sendo efetivamente essa ligação entre o que é e o que pode ser. Entre o não dito e o dito, entre o ideal e o possível, entre realidades que podem parecer irreconciliáveis, mas que… bem, talvez precisem mesmo coexistir.
Isso me faz pensar na minha própria história, e nas primeiras vezes que decidi publicar um pouco do que estava acontecendo comigo mais ou menos nessa época, cinco anos atrás. Eu ainda estava severamente debilitada pelo meu segundo burnout, vivendo há menos de um ano aqui na Holanda, e a decisão de começar a publicar um pouco do que eu escrevia simbolizava, pra mim, queimar algumas pontes de forma intencional.
Em muitas relações, inclusive no mundo do trabalho, parece que existe esse pacto velado de jamais reclamar, jamais reivindicar, jamais denunciar. Já ouvi incontáveis vezes a expressão “se queimar no mercado” como algo a ser evitado a todo custo. Como se fosse possível atearmos fogo no nosso próprio CV e invalidar nossa competência, nossa formação e nossa contribuição para uma organização e para uma indústria, simplesmente por quebrarmos um pacto do qual sequer tínhamos consciência.
Isso seria um total absurdo… se não fosse a mais pura verdade.
Existe, sim, “se queimar no mercado”. Pessoas que reivindicam, que posicionam, correm, sim, o risco de “ficarem marcadas”. Eu sei o quanto me custa falar do que eu falo, como eu falo – em oportunidades, em visibilidade, em grana, mesmo. Eu sei que tem muita gente (um sistema inteiro0 que ganha com o silêncio.
Acontece que, às vezes, queimar as pontes é o que a gente precisa pra sobreviver.
Cinco anos atrás, no meio do meu segundo burnout, eu decidi queimar todas pontes com o mundo corporativo. Era um momento que o meu coração me dizia, com toda a força do mundo: essa é sua segunda chance de sobreviver. Se você voltar para esse mundo, talvez não tenha uma terceira.
A reabilitação da burnout tem, obviamente, muitos fatores envolvidos – mas eu sei que é essa coragem de seguir em frente que me mantém viva.
Também sei que é queimando algumas pontes – deixando pra trás algumas expectativas, algumas relações abusivas e algumas certezas – que a gente consegue continuar caminhando com muito mais fluidez.
Como diz o Alan Watts, “The angels fly because they take themselves lightly”.
(Algo como “os anjos voam porque eles pegam leve com eles mesmos”).
No meu hiperfoco
Música: Labour, Paris Paloma, o hino feminista da nossa geração
Série: Succession, que talvez seja sobre bilionários, sobre narcisismo, sobre a decadência do capitalismo, sobre mudança climática – ou sobre tudo isso
Podcast: Aba Anônima, porque rir é o melhor remédio
Perfil: Estudos de Produtividade, da Thais Godinho, com uma proposta extraordinária de olhar para a produtividade com consciência de classe – dá só uma olhada no manifesto
Um passo por dia
Ontem nos stories eu pedi sugestões de qual passo do meu livro Um Passo por Dia compartilhar aqui nessa primeira newsletter, e o vencedor foi o Passo 13: Eu espero que você não precise adoecer pra ir atrás das suas respostas.
(imagem)
No curso Saúde Mental no Trabalho, eu li esse passo na aula “Por que a saúde mental se tornou uma das maiores preocupações dos brasileiros?” e propus uma reflexão. Você pode assistir o trecho de forma gratuita aqui.
Continue refletindo:
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