(Revista da Fiocruz) Cuidado para não se queimar

Síndrome de burnout pode afetar trabalhadores e desencadear série de transtornos físicos e mentais. Reportagem de capa da revista RADIS Comunicação e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Reportagem de capa da revista RADIS Comunicação e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Publicada em: 10 de outubro de 2022
Reportagem: Glauber Tiburtino

Aos 19 anos de idade, a publicitária gaúcha Caroline Miltersteiner iniciava uma trajetória tipicamente bem-sucedida em uma empresa do ramo de marketing e tecnologia. Com desempenho e dedicação, ascendeu profissionalmente de forma muito rápida e, aos 25 anos, já era sócia do negócio, acumulando funções e atribuições. O que ela não sabia era que a sobrecarga de trabalho a que estava submetida poderia custar sua saúde física e mental ao desenvolver a chamada síndrome de burnout (em tradução livre, queimar por fora ou queimar completamente).

O termo é de origem inglesa, mas seus sintomas e efeitos já acometem ao menos um a cada três trabalhadores brasileiros. Esse dado resulta de um levantamento da International Stress Management Association (Isma-Brasil), realizado em 2019. O índice já alarmante, de 32% da população brasileira economicamente ativa adoecida pelo trabalho, pode ser ainda maior atualmente. Isso porque nos últimos anos a pesquisa nacional da Isma foi adiada devido à pandemia de covid-19. A estimativa de agravamento deve-se ao fato de que as próprias mudanças no trabalho decorrentes do contexto pandêmico também poderão impactar essa estatística.

A décima primeira versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro de 2022, oficializou o burnout como uma síndrome ocupacional relacionada ao esgotamento no trabalho. Essa deliberação, contudo, ocorreu anos antes, durante assembleia do órgão em 2019. Na CID-11, o burnout passou a ser descrito como uma síndrome “resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”. Uma sobrecarga ou situação de conflito no trabalho pode até ser bem assimilada na nova rotina durante um tempo — mas se mal administrado e não solucionado, esse desequilíbrio pode sair do controle e gerar danos à saúde, como adverte a definição da OMS.

Foi o que aconteceu com Caroline Miltersteiner ou, simplesmente, Carol Milters. É dessa forma que ela se apresenta em seu site e redes sociais, em que aborda o tema com base em suas experiências, e como assina seus dois livros dedicados ao burnout. Ao se fundir com uma multinacional norte-americana, a empresa onde Carol trabalhava ampliou exponencialmente sua atuação no mercado e suas responsabilidades também cresceram abruptamente. Ela afirma que de início normalizou a sobrecarga laboral a qual estava submetida...

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Assinatura Escura CarolMilters.com Website Imagens 26 Burnout Neurodivergência e Criatividade no Trabalho (1)

Escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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sobre a autora

Carol Milters é escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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