Cá estamos nós,
Seres em evolução,
habitando um universo que surgiu do caos e hoje tem tudo isso que a gente vê,
e a mudança ainda nos assusta.
Um dos comentários que mais recebo nos posts, nas DMs e nos encontros o #BurnoutadosAnônimos é esse:
“Meus colegas/parentes/amigos dizem que eu não sou mais a mesma/o mesmo”.
Hoje eu consigo dizer,
“Que bom!”
Porque é da natureza humana a mudança
– por mais que o nosso sistema nervoso rejeite isso.
Enquanto eu estava entre burnouts,
no entanto,
eu tinha uma ânsia doida por “voltar a ser a Carol de antes”.
Eu queria voltar a ganhar o que ganhava antes,
voltar a poder trabalhar o quanto trabalhava antes,
voltar a confiar nas pessoas o quanto confiava antes,
voltar a me entregar o quanto me entregava antes.
Mas a vida anda numa direção só:
em frente.
Não existe, com ou sem burnout,
com ou sem depressão/ansiedade/pânico,
voltar atrás.
E é difícil fazermos as pazes com o fato de que uma versão nossa morreu.
Morreu, mesmo.
Morreu de estresse.
Morreu de falta de autocuidado.
Morreu de agradar os outros.
Pela nossa programação mental,
é fácil cair na cilada de olhar só pras perdas:
tudo o que deixamos de fazer e conquistar.
Mas se mudamos a perspectiva sutilmente,
podemos ver que os ganhos são infinitos:
a gente volta a ser a gente.
Nos cuidamos – e, com isso, aprendemos a cuidar melhor do outro.
Dedicamos nosso tempo ao que realmente faz sentido.
Não toleramos mais abusos.
Pra quem abusa da nossa boa vontade,
essa mudança pode ser realmente insuportável.
Pra todas as outras pessoas
– incluindo nós mesmas,
é a melhor coisa que poderia nos ter acontecido.
Com amor,
Carol Miltersteiner

