Quem é você sem o crachá?
A linha que divide a nossa esfera pessoal e a profissional tem-se tornado cada vez mais tênue, quase invisível. Há quem diga que, mais cedo ou mais tarde, ela vai desaparecer de vez.
Trabalhamos de casa. “Vestimos a camiseta” da empresa. Sonhamos com a reunião. Atendemos o telefone no meio da janta.
Deixamos de comparecer em aniversários, formaturas, por demandas que talvez não fossem tão urgentes assim, mas que precisamos, por algum motivo, atender.
Tem muita gente (a maioria, eu diria) que não tem a opção de desligar. Que corre o risco de perder o sustento básico da família ao desobedecer o que se tornou o padrão de ética de trabalho num piscar de olhos. Tem gente que escolhe ser assim, que desfruta de todo o bônus dessa vida, e tem bala na agulha (e acesso a terapia) pra enfrentar o ônus.
Mas tem muita, muita gente, que tem a opção de desligar de vez em quando, e não se dá conta.
Tem muita, muita gente que pode colocar o telefone no modo avião no fim de semana.
Que pode tirar uns dias de folga.
Que pode dizer um “não” sem perder o emprego.
Que pode ir num cinema, num teatro, num parque com os amigos.
Mas que não o faz.
Que não consegue parar de pensar no trabalho, não por escolha e nem por falta dela.
Essas pessoas estão viciadas no trabalho.
Elas não conseguem enxergar o seu valor desvinculado do que produzem.
Elas se tornaram reféns da adrenalina de um projeto novo, de um desafio a superar.
Elas sofrem, mas não conseguem enxergar uma saída.
Nem entendem por que estão sofrendo.
Se você tem a opção de se desconectar do seu trabalho mas não CONSEGUE, talvez você esteja viciad@. E vício não é bom. Ele afeta a nossa cognição, a nossa saúde mental e física.
Depois de alguns dias de descanso, eu volto aqui pra te lembrar que você precisa descansar também.
Tenta.
Pede ajuda pra alguém.
E se você perceber que é quase impossível se desligar, aí sim é que você precisa de ajuda.
O seu corpo, a sua mente e as pessoas que te amam te agradecem.
Compartilha esse post com alguém que talvez esteja indo longe demais na sua relação com o trabalho. Vamos nos ajudar
Carol Milters

