O caso de assédio que viralizou no LinkedIn

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O caso de assédio que viralizou no LinkedIn

Apareceu no meu feed do Linkedin o post da imagem acima, mencionando uma situação de assédio que aconteceu em uma empresa de tecnologia em São Paulo:

Particularmente, eu sigo a premissa “elogie em público e critique em particular”*. Quando compartilho minhas experiências, evito citar nomes e fazer o já conhecido exposed.

Além de ser um princípio, também tem um medo grande nisso: eu já recebi uma notificação extra-judicial de um ex-sócio me acusando de calúnia por processá-lo. A notificação ameaçava me processar na vara criminal – o que, se tudo desse errado, poderia até culminar em prisão. Pra sequer pensar em reivindicar que a justiça fosse feita, eu literalmente saí do país. Se ainda estivesse vivendo na mesma cidade, trabalhando no mesmo mercado, certamente eu engoliria os crimes cometidos contra mim a seco “pra não me queimar no mercado”.

Tudo isso é pra dizer que quem sofre abusos, assédios e injustiças de alguém em situação de poder tem milhares de motivos pra permanecer calado.

Eu, Carol, prefiro não expor nomes pelo medo, mas também porque eu tenho percebido, cada vez mais, que essas questões não são individuais e nem pontuais, mas sistêmicas: acusar uma pessoa coloca nela a culpa de um sistema que é muito bem articulado em fazê-la permanecer nessa posição de poder, num nível que muitos sequer percebem.

O post, que gerou uma imensa repercussão no LinkedIn.
Nomes ocultados para preservar as identidades envolvidas e evitar dar razão pra processo.

A efetividade dessas exposições também é complexa: será que uma pessoa exposta vai ter vontade de aprender e de fazer diferente? Não sei.

De todo modo, eu não condeno quem expõe.
Inclusive, aplaudo a sua bravura.
É corajoso expor.

É graças a essas pessoas que fazem barulho o suficiente que muitas que estão anestesiadas começam a se dar conta da realidade.
E eu entendo que haja espaço e necessidade para as diferentes frentes que buscam avançar essa linha que vem oprimido a imensa maioria de nós.

Independente de como você luta, eu espero muito que você nos ajude a combater qualquer abuso ou assédio, em qualquer ambiente.
Estamos em 2021, e isso já deveria ter sido amplamente entendido como descabido, criminoso, imoral e inaceitável.

Minha compaixão a todes que também já tenham sofrido nas mãos de um abusador.
Não só é possível nos libertarmos disso, como é necessário e urgente.

*Não sei de quem vem essa máxima, na minha pesquisa apareceu como sendo do Mario Sergio Cortella, mas acredito ser mais antiga do que ele.

<b>CAROL</b> MILTERS

CAROL MILTERS

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

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