fbpx

O jogo dos 7 erros da síndrome de burnout: quais você já cometeu ou ainda comete?

Neste artigo

3 minutos de leitura

Nesse mundo acelerado e hiperprodutivo, onde a exploração tantas vezes atropela ao bem-estar individual, a síndrome de burnout emerge como um reflexo repulsivo da nossa cultura do trabalho.

Com este jogo dos 7 erros, te convido a refletir sobre equívocos comuns que permeiam o entendimento e tratamento dessa condição crônica.

Desde a concepção errônea de que o burnout é um apagão repentino até a negação de sua existência, cada erro ressalta a complexidade dessa síndrome, indo além das fronteiras da psiquiatria e envolvendo fatores fisiológicos, ambientais e sociais. Ao explorar esses equívocos, é possível lançar luz sobre a necessidade crucial de compreender e abordar o burnout de maneira holística, promovendo uma cultura de trabalho que não nos esgote e acolhendo quem adoece para poder recomeçar.

Erro 1: dizer que burnout é um apagão ou uma crise

Burnout é um adoecimento crônico, que vai evoluindo por meses, anos ou até décadas de estresse acumulado. 

O burnout não chega e nem vai embora da noite pro dia. 

Um apagão ou uma crise podem ser a gota d’água de um processo de esgotamento maior, mas ele não é o burnout em si. 

Erro 2: achar que burnout é coisa da nossa cabeça

O estresse não é uma escolha, é uma resposta fisiológica de sobrevivência. O estudo e o tratamento da síndrome de burnout não se enquadra no DSM e não pode estar restrita ao campo da psiquiatria justamente porque os sintomas e as sequelas vão além das questões mentais e emocionais – pra entender o burnout, a gente precisa entender de estresse, de fisiologia, de trauma, de assédio organizacional, de cultura do trabalho.

Erro 3: colocar a culpa do burnout em quem adoece.

Já se sabe que a síndrome de burnout é multifatorial: ou seja, é causado por uma soma de questões individuais e ambientais. Prova disso é que uma pessoa afastada de uma organização por burnout pode até ser a primeira, mas dificilmente será a última.

A gente vê tanto em estudos como em relatos pessoais que existe uma clara correlação entre burnout e assédio moral ou sexual, má liderança e mudanças organizacionais mal-administradas. 

E não é só isso: o nosso funcionamento social de exploração extrema dos recursos naturais e humanos tem sido a receita perfeita para um esgotamento coletivo.

Erro 4: achar que diagnosticar e tratar burnout como depressão dá no mesmo

Esse é um erro crasso de profissionais de saúde: ao confundir burnout com depressão, ignora-se toda desregulação do organismo pelo estresse crônico (insônia, fadiga, infecções), as hipersensibilidades, as questões de cognição e memória, os fatores ambientais e da relação do paciente com o emprego atual e com o trabalho como um todo.

A depressão pode ser uma das comorbidades do burnout, mas é fundamental identificar o que existe além dela pra que se entenda como tratar e o que esperar de quem passa por isso.

Erro 5: dizer que burnout é fraqueza, frescura, ou coisa de quem não gosta de trabalhar

Em quase 4 anos facilitando encontros dos Burnoutados Anônimos e já tendo ouvido centenas de centenas de relatos, até hoje eu não conheci uma pessoa que tenha passado por um burnout trabalhando pouco.

É justamente o alto engajamento no trabalho que nos coloca em risco de adoecer. 

Erro 6: achar que um perfil de profissional, de carreira ou de profissão está imune ao burnout

Ninguém está imune ao burnout: qualquer profissão, indústria e lugar do mundo está sujeito ao esgotamento profissional – tem burnout até na Finlândia! 

Existem, sim, estressores e fatores de risco conhecidos, bem como práticas, mudanças de estilo de vida e transformações ambientais que podem reduzir os riscos. Mas a realidade é que não existe blindagem garantida contra o burnout, porque não existe blindagem contra o estresse. 

Erro 7: dizer que burnout não existe, ou que todo mundo tem burnout

O negacionismo é uma das barreiras mais fortes que a gente precisa atravessar – tanto individual como coletivamente. Quem atravessa ou atravessou o burnout sabe como é difícil aceitá-lo – só essa parte do processo pode levar anos. 

E o que dificulta mais ainda é quando nosso entorno – colegas, líderes, familiares e até mesmo profissionais da saúde – também nega que o burnout seja um fenômeno real, com riscos, consequências e sequelas reais. Seja por desinformação ou má fé (afinal, negar o burnout é dar carta branca pra que organizações sigam explorando os trabalhadores até a última gota), o negacionismo e a generalização machucam quem está mais frágil. Quem adoece fica à margem de uma sociedade que valoriza a (hiper)produtividade acima de todas as coisas. 

Quem adoece fica sem o básico de sobrevivência porque a grande maioria da população precisa trabalhar pra sobreviver, e só vai adoecendo mais e mais quando percebe que não pode nem fazer uma pausa pra cuidar da própria saúde. 

E mais: quem adoece tem um potencial imenso de contribuição que é desperdiçado e negligenciado porque lhe é negada a dignidade básica do direito ao descanso e ao cuidado à própria saúde.

Referencial completo:

https://carolmilters.com/referencias-burnout

Carol Milters
Carol Milters

Escritora, Investigadora & Facilitadora
Saúde Mental no Trabalho, Síndrome de Burnout, Workaholismo & Escrita Reflexiva


Autora dos livros, "Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout" e Um Passo Por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso idealizadora da Semana Mundial de Conscientização da Burnout e do grupo de apoio online Burnoutados Anônimos.

Deixe seu comentário e continue a conversa:

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Leia mais sobre Síndrome de Burnout e saúde mental na relação com o trabalho