Crônicas

A vida não muda num estalar de dedos

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Eu já achei houvesse uma linha de chegada pras coisas.

Que amanhã talvez tudo fosse ser diferente.
Que depois daquele curso,
daquele encontro,
daquela viagem,
daquela conquista,
os dias seriam equilibrados.

Eu fantasiei muito com uma rotina impecável,
acordando 5 da manhã &
escrevendo &
meditando &
me exercitando &
me alimentando de forma saudável &
sendo impecavelmente produtiva &
socializando &
mantendo a louça em dia &
contribuindo pra um mundo melhor.

Já achei que um dia eu acordaria sem ansiedade.

Já desejei ter o controle supremo das minhas emoções e viver numa paz de espírito inabalável.

Mas aí eu uso o telefone até mais tarde numa noite,
não me mexo na manhã seguinte,
não medito por duas semanas,
fico com angústia das mensagens não lidas,
não escrevo por dias e dias,
deixo a louça por fazer.

Antes, eu me massacraria.

Me julgaria uma preguiçosa,
uma irresponsável.

Hoje, eu me entendo como humana.

Eu sei que derrubo muitos pratos.
Falho todos os dias.

Mas eu continuo tentando.
Entendo que, de todos os pratos que tento equilibrar, só uns poucos realmente importam.

E tudo bem.

Hoje deu pra lavar a louça &
deu pra trabalhar um pouco &
veja só,
deu até pra escrever.

Comemora as pequenas vitórias.
Não te pune com o que não deu pra fazer.

Entende que a vida não muda num estalar de dedos.

Ela muda com um passo,
um tropeço,
outro passo,
e outro passo,
até o último.

Com amor,
Carol Milters 💛

Carol Milters

Carol Milters

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

Autora do livro "Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout", idealizadora da 1ª Semana Mundial de Conscientização da Burnout e do grupo de apoio online Burnoutados Anônimos.

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