Será que você vai precisar passar por ela pra mudar a sua?

Eu tendo a fugir de reducionismos e torcer o nariz pra afirmações como esta: “tal tratamento/oportunidade/etc mudou a minha vida”. Me parece que a vida é um pouco mais complexa do que isso, entende?

Por outro lado, eu estaria mentindo se dissesse qualquer coisa diferente disso em relação ao meu burnout.

Se eu não tivesse adoecido, talvez ainda estivesse no mesmo ambiente de cinco anos atrás.
Talvez seguisse sendo negligente comigo mesma.
Talvez seguisse não entendendo o meu valor intrínseco.
Talvez seguisse tentando provar alguma coisa pra quem sequer se importa.

Se eu não tivesse sido derrubada, nocauteada, afogada pela ansiedade, a exaustão, a depressão e o pânico que chegaram com a Burnout, talvez eu continuasse caindo em autoenganos.

Talvez eu continuasse somatizando emoções.
Talvez eu continuasse prestando mais atenção no que falta do que no que eu tenho.
Talvez eu me tornasse cada vez mais distraída, cada vez mais acelerada, cada vez mais dispersa.

Se eu não tivesse sofrido tanto com a #sindromedeburnout, talvez eu tivesse muito mais dinheiro do que eu tenho hoje.
Talvez eu fosse dona de um imóvel enorme, com projeto feito por arquiteta e tudo.

Mas eu não seria dona do meu TEMPO, como sou hoje.

A síndrome de Burnout mudou a minha vida.

Me afogou e me atirou de volta pra costa no outro lado do oceano.
Me ergueu um espelho sem filtros pra dentro de mim mesma.
Me mostrou que havia uma vida com muito mais sentido, me esperando pra começar.
Me tornou uma pessoa mais paciente, mais compreensiva, mais bondosa, mais alegre, mais presente.

E por mais que tenha me doído ter passado por tudo aquilo, eu não troco por nada.

Carol Miltersteiner

<b>CAROL</b> MILTERS

CAROL MILTERS

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

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