Oi, tudo bem com você?
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Deixa eu me apresentar: sou Carol Miltersteiner. Nasci Caroline da Rosa Miltersteiner, em Porto Alegre, 1987, numa família que trabalhou duro pra me dar tudo o que eu precisava, e mais um pouco.
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Fui chamada de Carol a vida toda – Caroline era só quando alguém tava pistola comigo. Me acostumei a carregar o sobrenome de pronúncia complicada e origem confusa, porém única – tem, no máximo, umas 2 ou 3 Caróis Miltersteiner no mundo.

Cresci fazendo tudo direitinho: nunca peguei recuperação na escola, passei com distinção na universidade, me tornei a mais jovem sócia de uma empresa.
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As conquistas escondiam uma angústia imensa: uma ansiedade diagnosticada aos 14, uma compulsão alimentar que me fazia ganhar e perder uns 15 quilos a cada ano, uma propensão imensa a somatizar em situações difíceis. Quando eu não me paralisava, entrava em crise de choro, passava uma semana à base de salada ou comia uma torta inteira sozinha, eu fazia febres, amigdalites, infecções urinárias e intestinais.
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Foram anos e anos tentando fazer de conta que tava tudo bem, me cercando de pessoas que faziam de conta que tava tudo bem, achando que só eu carregava esses sintomas comigo, escondida de todo mundo.
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Até que um dia, o meu corpo cansou de fingir. Ele me derrubou, metafórica e literalmente. Eu busquei ajuda, mudei de país, aprendi uma porrada de coisa.
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Mas eu continuava fingindo.
E daí era uma questão de tempo.
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Dois anos e meio atrás, eu sofria uma crise de pânico em um quarto de hotel. Passei os três meses seguintes praticamente sem conseguir sair da cama, meses sem entrar num supermercado, meio ano sem dirigir.
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O que me puxou de volta foi isso aqui. Isso que você tá lendo. Escrever uma palavra depois da outra. Confiar no papel (virtual), acreditar que ele não julgaria meus medos, minhas mágoas, meus rancores, minha violência contra mim mesma.
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Eu já escrevi coisas que me dá arrepio só de pensar. Coisas que jamais serão lidas por ninguém. Coisas que precisavam ser escritas.

Ao dar uma aula de psicanálise via stories, a @manuelaxavier comparou o inconsciente a um novelo de lã enredado. A análise (e, me permita acrescentar, a escrita) tem o papel fundamental de desenroscar esse novelo, colocá-lo em linha. 
Faz um ano e meio que comecei a escrever, em inglês, em um projeto (que criei em casa durante um processo de coaching com a @jornadasdetransformacao), chamado @thebetterachiever
Foi através dele que eu decidi parar de fingir e jogar a merda no ventilador. 
Quando posto algo sobre a #sindromedeburnout, eu sei que nem todo mundo que se identifica curte ou comenta. Existe um medo velado de que, se alguém ver que se a pessoa se interessa pelo assunto, isso signifique que ela esteja passando por isso – o que ainda é amplamente percebido como sinal de fraqueza. Pode custar a sua reputação no seu emprego, pode custar o seu emprego (a @izabellacamargoreal que o diga). Eu já não tinha mais saúde pra tentar trabalhar em empresa. E foi por isso que decidi usar o meu privilégio, contar com o apoio financeiro das minhas duas famílias (de sangue e de coração), e começar a falar francamente sobre isso.

 A minha missão é ampliar a consciência sobre o adoecimento coletivo que vem sendo causado pela forma como encaramos o nosso trabalho, e provocar formas diferentes, talvez mais leves, de olhar pra isso.
Escrevi um livro que entra em pré-venda essa semana, em inglês e português. O livro conta a trajetória desde o primeiro dia que comecei a colocar uma palavra atrás da outra em busca da minha melhora.
Tenho um podcast em inglês onde entrevisto especialistas em burnout e procuro compartilhar caminhos de prevenção e reabilitação, no @thebetterachiever. Estou pra lançar uma marca em português, a irmã brasileira do The Better Achiever, que trará conversas com pessoas próximas a mim que estão ousando viver vidas um pouco diferentes e buscando a sua saúde mental de formas inspiradoras.
Publiquei uma meditação guiada no Insight Timer que já foi praticada por centenas de pessoas, e compartilhei com umas 100 que manifestaram interesse no post de ontem.
Levo a sério essa minha missão e tenho aprendido com pessoas fantásticas que dá pra ser diferente.
Dá pra criar um trabalho alinhado aos nossos valores, sem abrir mão do que é sagrado pra nós.
Dá pra imprimir quem a gente é no que a gente faz, sem máscaras.
Dá pra deitar na rede numa segunda-feira à tarde, sentar na grama quarta-feira de manhã, sem culpa.
Dá pra trabalhar pra caramba também, buscar uma excelência elevada, sem se angustiar tanto.
Dá pra não precisar fingir.
Se você também quer acreditar nisso, vem comigo.
Estamos só começando. 💛

<b>CAROL</b> MILTERS

CAROL MILTERS

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

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