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Observações de diversas naturezas, profundidades e extensões.
Diretamente daqui de dentro, pra chegar aí dentro 💛

O ano tá acabando e eu não consegui fazer tudo o que eu queria.

O ano tá acabando e eu não zerei meu inbox (nenhum deles).
O ano tá acabando e eu não zerei minha lista de tarefas.

É claro que isso gera um desconforto.
Mas eu não sou mais refém disso.

Eu não uso mais esse choque de realidade como um argumento entre tantos gerados dentro de mim sobre como eu sou insuficiente, como eu sou desorganizada, como eu sou incompetente, como eu não sei me planejar.

Eu acordei hoje, sim, pensando em todos os itens da minha lista de tarefas que vão virar o ano comigo. Acordei, sim, querendo ser a super-heroína da produtividade que marca todos como concluídos.

Mas se tem uma coisa que dois burnouts severos te ensinam é que pra super-herói a gente não serve.

O que serve é a gente conseguir discernir, entre todas as demandas do mundo (que vai nos demandar, e muito, e sempre), o que realmente importa.

Quais, de todas as mensagens que você tem pra responder, precisam ser respondidas.
Quais, de todos os seus sonhos, desejos e aspirações, precisam ser perseguidos.

Entre o que a gente deseja e o que acontece sempre, sempre, SEMPRE haverá um espaço.

É preciso honrar esse espaço.
Respeitar esse espaço.
Ser intencional em relação a esse espaço.

Dar-se conta disso não é um processo simples, linear ou impecável.

Neste ano, aprendi que eu, sim, equilibro muitos pratos (tantas vezes, pratos demais), e que, sim, muitos vão cair. E aprendi a fazer as pazes com os pratos caindo.

Isso não quer dizer que eu não precise elaborar melhor o meu planejamento.
Eu ainda digo muito mais sim do que poderia.
Eu ainda planejo coisas imaginando que vou estar diariamente no meu melhor – mesmo sabendo que o meu melhor é recorde, e não ritmo.
Eu ainda falho – e muito.

Mas hoje eu sei que isso acontece porque eu sou um ser humano.
Que o trabalho interno não tem data pra terminar.

Hoje, eu escolho voltar o meu olhar pro que DEU pra fazer.
E olha, não foi pouco.

Tenho CERTEZA de que você aí também não fez pouco –
por mais que ache isso.

Em 2023, que você faça as pazes com esse espaço do não-realizado.
Que você faça as pazes com os pratos que caem.
E aprenda a valorizar imensamente os que estão em pé.

Carol Milters
Carol Milters

Escritora, Investigadora & Facilitadora
Saúde Mental no Trabalho, Síndrome de Burnout, Workaholismo & Escrita Reflexiva


Autora dos livros, "Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout" e Um Passo Por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso idealizadora da Semana Mundial de Conscientização da Burnout, do grupo de apoio online Burnoutados Anônimos e conselheira do Instituto Bem do Estar.

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Este post tem um comentário

  1. Valdenia

    Mais difícil e ter que provar o tempo todo, que adoeceu no trabalho, que você não esta se fazendo, que não somos máquinas ..
    Principalmente quando você é a vítima, e ainda sofreu assédio moral..
    Trabalhando na área da Saúde…

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