Eu era muito nova quando aprendi o que agradava as pessoas.⠀

Aprendi cedo que notas altas geravam brilho nos olhos.⠀
Que ficar quieta, mesmo que algo me incomodasse, gerava paz.⠀
Que sorrir era um remédio pra mim e para quem estivesse à minha volta.⠀

Faz muitos anos que eu aprendi a não esperar demais dos outros.⠀
A desconfiar de quem me dá bola.⠀
A não achar que faço mais do que a obrigação.⠀

No trabalho, levou dois segundos pra eu aprender que fazer o trabalho de cinco pessoas me renderia prestígio.⠀
.
Que, se precisasse chorar, não podia ser no escritório.⠀
Que ali não cabiam os meus problemas pessoais, ou os de ninguém.⠀
Que haveria alguém falando pelas minhas costas a todo instante.⠀
Que minha equipe não poderia perceber fragilidade em mim.

Que eu até poderia ser eu mesma, “mas não assim”.⠀
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Nos relacionamentos, aprendi a fazer queda de braço. Aprendi a não reclamar nunca até chegar um dia em que eu explodisse e saísse correndo.⠀ ⠀

Quando adoeci e me coloquei num avião pro Chile, por um mês, ouvi essa música chamada “Armadura”, da @franciscamusic. ⠀

Me lembro de caminhar pelas ruas de Santiago com essa música no repeat.⠀

Eu acabara de assistir a palestra da @BreneBrown sobre vulnerabilidade.⠀
Estava começando a aprender que eu não precisava fazer de conta o tempo todo.⠀ ⠀
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Perceber as armaduras que a gente usa é complicado.⠀
Descobrir por que elas estão na gente requer, muitas vezes, acompanhamento profissional.⠀
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Decidir tirar a armadura é um ato de coragem, talvez sem volta.⠀
É saber que a dor vai doer.⠀
É saber que os outros verão as partes que você mais temia.⠀
É não saber o que vai acontecer.⠀

É uma decisão que parece inconsequente.⠀
Mas não existe nada nessa vida que valha mais a pena.⠀

Carol Milters💛

<b>CAROL</b> MILTERS

CAROL MILTERS

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

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