Noite passada, eu sonhei que enlouquecia.
Eu dirigia um carro desgovernado, fazia uma curva perigosa.
Eu conseguia sentir a razão indo embora da minha cabeça.
Mesmo no sonho, eu percebia que algo havia se apagado, perdido.
Perder o controle era doloroso, angustiante .
Por sorte, o pesadelo foi se transformando em outra coisa – ou a minha memória apagou o desfecho.
Acordei não menos sã do que ontem.
Não mais, também.
Eu sei o que é perder a cabeça estando acordada.
O que é não se reconhecer mais.
E é por isso que eu escrevo.
Medito.
Caminho.
Ouço uma música boa.
Olho pro céu, longamente, havendo nuvens ali ou não.
Converso com amigas.
Faço terapia.
Tomo remédios.
Eu preciso de mim sã.
E de você também.
Carol Miltersteiner

