Não julgue por maldade o que é apenas incompetência

Minha irmã sempre diz isso.
E não é que faz sentido?

Me recuso a acreditar que a grande maioria das empresas adoeça seus funcionários de propósito.

Que gestores ou empresários saiam de casa pensando, “hoje eu vou provocar uma crise de pânico num funcionário”. Não quero sequer imaginar que o seu chefe consiga dormir sabendo que você precisou se trancar no banheiro pra chorar depois daquela reunião.

Que o executivo da capa da revista se sinta orgulhoso quando recebe a notícia que mais um membro da equipe pediu licença médica, que mais uma pessoa pediu demissão, que um dos seus melhores talentos deixou o mercado.

Não quero enxergar maldade onde o problema é incompetência.

Prefiro pensar que o problema seja falta de consciência.
Ter uma empresa, ainda mais no Brasil, é difícil.

É imposto, burocracia, folha de pagamento, aluguel. Muito empresário começa seu negócio querendo, genuinamente, acertar. (No fundo no fundo, todo mundo nesse planeta só tá querendo acertar.) O nosso cenário de adoecimento por stress no trabalho é relativamente inédito. Os problemas que quem tem empresa hoje aprendeu a resolver eram outros.

E eu entendo.
É difícil se manter atento, mesmo ao que é mais importante.
É difícil cuidar do que é mais valioso quando tem tanta coisa acontecendo.

Eu já tive uma raiva danada das empresas por constantemente passarem por cima dos nossos limites (se ainda não leu meu texto sobre raiva, dá um pulinho lá depois). O rancor e o ranço ainda são grandes, pra ser sincera.
Mas eu quero acreditar que é só uma questão de incompetência.

Os tempos são outros.

Não dá pra exigir que sejamos todos impecáveis.
Mas dá pra exigir consciência do que pode melhorar.

Por favor, empresas, prestem atenção na gente.
Ouçam quando a gente pede socorro.
Reconheçam suas incompetências.
Antes que seja tarde demais, pra nós, ou pra vocês.
E se não for só uma questão de incompetência, eu prefiro nem saber.

Você acredita que as empresas consigam melhorar a forma como tratam seus colaboradores?

Carol Milters

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Assinatura Escura CarolMilters.com Website Imagens 26 Burnout Neurodivergência e Criatividade no Trabalho (1)

Escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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Carol Milters é escritora, facilitadora e criadora de espaços de cuidado para pessoas atravessando a síndrome de burnout.

Autora dos livros Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout e Um Passo por Dia: Meditações para (re)começar, sempre que preciso 

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