Crônicas

Carta aberta a quem ama alguém que esteja passando pela síndrome de Burnout

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Não está sendo fácil.

Todos os estágios dessa Via Crúcis são dolorosos.

Me perdoa.

Por ter me atirado no trabalho, achando que trabalhar além da conta me preencheria.
Por ter achado que trabalhar mais do que todo mundo fosse o suficiente.
Por ter deixado de te atender por estar constantemente ocupada.
Por ter te julgado – por ter julgado a mim mesma de forma tão cruel.
Por ter achado que era melhor do que alguém.

Eu achei que esse era o caminho pra ser uma pessoa melhor.
Eu não sabia.

Sinto muito.

Por não ter entendido meus limites.
Por ter tentado ser quem eu não era.
Por precisar somatizar emoções, desejos e medos.
Por não conseguir dar conta de tudo.
Por cancelar em cima da hora, por precisar ir embora mais cedo.
Por ter achado que vulnerabilidade era fraqueza.

Sou grata.

Por todas as vezes que você não me julgou.
Por todas as vezes que você, sem entender o que estava acontecendo, me acolheu,
me amparou, me consolou.
Por todas as vezes que você acreditou em mim e me lembrou de quem eu era,
quando eu já não lembrava mais.
Por todos os ajustes que você precisou fazer.

Até mesmo quando alguma palavra ou gesto me feriu,
eu hoje sei que não foi a intenção.
Você sempre quis o melhor pra mim.
Se nem eu sabia o que era melhor – como esperar que você soubesse?

Te amo.

E esse amor é mais profundo do que nunca.
Esse amor não se abala com qualquer ventinho.
Esse amor é incondicional.

Que a vida seja tão bondosa contigo,quando você tem sido comigo.

Com amor,
Carol Miltersteiner 💛

Carol Milters

Carol Milters

Escritora & Investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo

Autora do livro "Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout", idealizadora da 1ª Semana Mundial de Conscientização da Burnout e do grupo de apoio online Burnoutados Anônimos.

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